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Pelos Cotovelos


Pelos cotovelos... e cotovelinhos

 

Vida de mãe é dureza. Quando grávida, você não dorme porque não acomoda a barriga em lado nenhum da cama. Mas depois que o bebê nasce, não se iluda, não melhora. Você não vai dormir porque o bebê tem que mamar na madruga ou porque ele decidiu que quer brincar às 3h da madruga. Mas eles crescem. E você continua não dormindo. Agora porque acorda ao menor ruído no quarto da criança. Então chega a adolescência e você pensa: agora vai. Vai, nada, minha amiga. Seu filho vai pra balada e você não vai dormir até ele chegar. Resumindo, você nunquinha vai dormir uma noite inteira de novo. Mas tudo isso se compensa quando aquele cisco de 50 centímetros olha pra você e sorri, mesmo que seja às 3h da manhã...

 

No entanto, com todas essas noites mal dormidas, o Pelos Cotovelos ficou em stand-by e agora volta à ativa com a colaboração da pequena Laura que, embora não fale pelos cotovelos, resmunga pelos cotovelinhos e inspira histórias divertidas e bonitinhas. Portanto, não se assustem com os textos-coruja que poderão encontrar de agora em diante. Tem coisas que a gente precisa registrar e, para isso, vamos começar o ano em retrospectiva.

 

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos pelo carinho e solidariedade comigo, com o Etto e com a Laura nestes três meses que se passaram.

 

 



Escrito por Lê Volponi às 14h59
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Trabalho de parto?! Mas não era cesária?!

Sábado, 3 de novembro de 2007 – aproximadamente 19 horas

Eu: - Ju, você sabe como é contração?

Ju: - Sei não, Lelê, o Enzo e a Bella nasceram de cesária. Porque?

Eu: - To sentindo umas dores estranhas. To achando que é contração.

Ju: - Será?

Eu: - Não sei. Não parece com nada do que a mulher disse que eu sentiria e, além disso, eu fui no médico anteontem e ele disse que eu poderia vir pra Mogi porque estava tudo certo.

Ju: - E agora? Pra quem será que a gente pode perguntar?

Eu: - Sei lá, a única pessoa que eu lembro que teve parto normal é minha mãe, mas se eu fizer essa pergunta pra ela, ela vai parir antes de mim. Vamos ver no google...

...

Ju: - Olha aqui diz que você tem que ter cerca de três contrações a cada 10 minutos com mais de 40 segundo de duração. Vamos contar.

 

Aproximadamente 20 horas

Etto (com intoxicação alimentar, diarréia e vômito): - Amor, é melhor você ligar para o Dr. Rubens, não é?

Ju: - É, Lelê, liga para ele.

Eu: - Mas e se não for nada? Melhor esperar mais um pouco.

Ju: - Lelê, a gente contou e é igualzinho o que dizia o site. Liga pra ele.

Etto: - Liga logo, mulher. Se não for nada, ok, mas se for dá tempo de correr.

 

Aproximadamente 21 horas

Eu: Alô, Dr. Rubens? É a Letícia das gêmeas

Dr.: Fala, Lê.

Eu: To com contração. Três a cada dez minutos com cerca de 50 segundos de duração cada.

Dr.: Toma (não lembro quantas) gotas de Buscopan e me liga em uma hora. Ah! Volta pra São Paulo e já avisa a Val (instrumentadora).

 

Etto: - Eu não consigo dirigir. To passando muito mal.

Ju: Eu dirijo e levo você e as crianças. O Marcos vai na frente com a Lelê, assim eles vão mais rápido.

 

Marcos (caindo de para-quedas): que caras são essas, gente?

Ju: a Lelê ta com contração

Marcos: Pára!

Ju: É sério!

Marcos: Não mente. (senta para mexer no computador)

Eu: Ma, é sério, to em trabalho de parto, a gente tem que ir pra São Paulo.

Marcos: Trabalho de parto?! Mas não era cesária?!

Eu: Era, mas as meninas decidiram dar o ar da graça antes da hora.

Marcos: E agora?

Eu: Você me leva pra São Paulo e eles vão atrás e nos encontram em casa.

Ju: Enquanto nos arrumamos para sair, leve as crianças com você e compre Buscopan na farmácia.

(continua...)



Escrito por Lê Volponi às 14h55
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Que aventura é parir!

No carro – aproximadamente 22 horas – chovendo, com os vidros escancarados, nós dois suando de nervoso. O Marcos acendia um cigarro atrás do outro e, nos intervalos entre uma tragada e outra, roia os dedos (as unhas ele já tinha comido enquanto ia na farmácia).

Eu: Arf! Arf! Arf! (pelo menos é assim que fazem respiração de cachorrinho nos quadrinhos)

Marcos: Tá legal?

Eu: To melhorando, o remédio ta fazendo efeito.

 

Olho o relógio. Quatro contrações, em dez minutos, um minuto de duração cada.

Trim!!!

Eu: Alô...Arf! Arf!

Etto: Amor, como você ta?

Eu: to melhorando.

Etto: e as contrações?

Eu: Diminuindo.

 

Quarenta minutos depois, chegamos a São Paulo e eu tinha uma contração a cada minuto e meio com um minuto de duração cada.

 

Eu: Dr. Rubens, cheguei em São Paulo e as contrações aumentaram.

Marcos e Etto: Aumentaram? Você disse que tava diminuindo.

Eu: Era para não assustar vocês dois.

Dr. Rubens: Vai pro hospital. To subindo a serra e te encontro lá.

 

De volta ao carro.

Etto: Candy, você tem o telefone do Marcio, taxista?

Minha mãe: Tenho. Porque?

Etto: Então liga pra ele que suas netas vão nascer. Estamos indo para a maternidade.

 

Dei entrada no hospital às 23 horas, acompanhada pelo Etto (ainda verde e passando mal) e pelo Marcos (a essas alturas sem as pontas dos dedos). A enfermeira tentava descobrir quem era o pai, eu queria ir ao banheiro e elas não me deixavam: “com essa dilatação, o bebê pode nascer”, me diziam.

 

O Dr. Rubens chegou mais de duas horas do dia 4 de novembro. Eu estava encantada com o poderoso Dr Marcelo (o anestesista que fez a dor da contração passar). Às 3 horas, por uma cesária, a Laura disse Olá e a Beatriz, Adeus!



Escrito por Lê Volponi às 14h55
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